10 de mai. de 2009

Como fazer poesia?

Tem receita não. Desculpa se você queria uma receita pronta. Mas não tem. Bateu na porta errada. Não tem ninguém em casa. Para fazer poesia tem que ter intimidade com ela. Eu não tenho. Ela que tem comigo. A poesia te toma. Não pode chamar ela. Ela te chama. Ela te invade. Ela se coloca no papel. Só lhe ordena que a escreva. Ordena pois é soberana. Ela que dá as cartas do jogo. Sou apenas mais uma jogadora sem sorte. Me rendo. Desculpa mais uma vez moço eu não poder dizer como fazer uma boa poesia, mas é que eu não sei. Pergunta a ela e quando souber me conta. Acho que eu não sei muito dizer porque eu sou apaixonada por ela. Ela me encanta. Me conquista. Ela, ela, somente ela. Como fazer poesia? Não sei. Ela se faz por mim, por você e por ela mesma.

Medo do fim de tudo

Ontem me incomodei com tudo isso que está acontecendo. Vi expressões de perda total, vi medo no olhar de um ser humano, que diz que perdeu tudo com as chuvas. Chuvas. Elas estão tão intensas. Até parecem mulheres com tpm. Tenho medo. Medo do fim do mundo. Medo do fim de tudo. Medo do meu fim. Quem está preparado? Não consegui sorrir. Me incomoda saber que não posso ajudar todos. Me dá vontade de ajudar. Sim, tenho vontade de ajudar. Mas minha ajuda é pouco. Meu incomodar ainda é muito pouco. E a cada dia mais chuvas. Estou escrevendo e pela janela vejo as torrenciais. E as pessoas morrendo. E as pessoas perdendo suas casas. E as pessoas deixando de serem pessoas para serem números. Números da miséria, número de mortos, número de desabrigados. Tem como ficar feliz? Me convidaram para ir ao teatro assistir comédia. Como posso assistir comédia? A comédia me fará rir? Não quero rir, quero chorar com eles. Quero ajudar eles. Os números. As pessoas. Me incomoda o Brasil ser tão múltiplo e tão desigual. Me incomoda saber que parece o fim e não somos bons o suficiente para ajudar todos. Me incomoda saber de tudo isso. Será que ser cega resolveria? Eu tenho medo. Tenho medo do fim de tudo. Tenho medo do fim dos poetas. Tenho medo do fim da poesia. Tenho medo do fim de tudo.