20 de mar de 2009

Novo Dia

Marina estava grávida. E, definitivamente não sabia o que fazer. Nem bem tinha começado aquele relacionamento. Ele não era o homem da sua vida. Mas, acabara de saber que fez uma vida nela. O que os pais diriam? Nossa, aquela médica não deu uma notícia, mas a inseriu numa guerra de conflitos que ela já tinham começado a pensar quando se sentiu enjoada na escola. Estavam juntos sentados no pátio e ela enjoara um cheiro de comida. Ele a largou e sorriu, dizendo que se ela tivesse grávida não era dele. Irônico. Sabia que somente ele a tinha como mulher. Infantil. Sorriu para ele, para por um momento entrar na brincadeira. Mas a consciência a atacou...E se estivesse mesmo grávida? Que loucura. Os pensamentos se dissipavam com a dor que isso causaria a tantas etapas da sua vida. Tinha dois meses que fizera 16 anos. O conheceu numa dessas festa noturnas que disse para a mãe que ia dormir na casa de uma amiga. E o 'lance' já durava cinco exatos meses. Na escola todo mundo sabia deles. Em casa, a mãe ainda a tratava como uma criança. Ela do segundo e ele do terceiro colegial. A família queria que ele prestasse vestibular em uma outra cidade. Ela tinha medo de perdê-lo. Foi a uma médica conhecida e pediu que não comentasse com sua mãe. Enfim, estava grávida. Grávida, grávida, grávida. Repetia para ver se acabava acreditando. Fim de ano, e esse seria o presente de Natal que nunca pedira. Ele se preparava para fazer o vestibular; ligou para ela, mas, Marina preferiu pensar sozinha. As amigas virgens: 'fala pra sua mãe'; as outras: 'aborta, conheço uma clínica'. E o que Marina podia fazer? Chegou em casa e a mãe reclava de uma amiga que estava passando apuros com uma filha grávida. Praguejou a menina de tal forma que Marina preferiu se trancar no quarto. Ele ligava insistentemente. Mas parou. Não aparecia na escola. Mas ela sabia que ele tinha ido fazer o vestibular. Dois meses de gestação, mas como nunca foi uma modelo de televisão, ainda não percebia-se. Mas e ele, onde estava? Ligou de novo, enfim. 'Onde você estava? Está faltando aulas.' Ele respondeu baixo e diretamente: - 'Passei e vou morar aqui'. Pronto. Mão adolescente e solteira? Era o fim do mundo! Desligou o telefone. Ele ainda queria dizer que a queria por perto, que nesse tempo pensou muito neles e que pediu aos pais que ela se mudasse com ele. Morariam juntos. Todavia, ela não esperou, não queria mais atender. Procurou as amigas e resolveu abortar. A vida continuaria, ela precisava crescer. Homens, jamais - se prometia em vão. O pensamento só estava nele. Dia e hora marcados. Não teria mais filhos. Se sentia culpada, mas eram tantas culpas. Deus seria misericordioso - pensava. Ele continuava ligando, e ela o praguejava. A ceia de Natal já estava sendo comprada. E ela escondia de tudo os ferimentos. Estava cicatrizando rápido. Uma semana depois, rumores dele pelo bairro. Foi para escola, mas nada era concreto e sua mente brigava em procurá-lo ou não procurá-lo. Quando chegou em casa, a mãe lhe falara de visitas aos risos. Ele e os pais dele foram ter com a família dela. Ele não mudara nada. A mãe ficou feliz com as descobertas. Ela desmaiou. Perdera muito sangue na clínica e um susto desses lhe fugiu a vida. Ao acordar, a mãe estava ao seu lado, num quarto de hospital. Ela a olhou com um rosto sério e sombrio. A esse tempo, todo mundo descobriu tudo. 'Cadê?' Perguntava por ele. A mãe desconversou. Mas ao ser noticiado, fora embora. Não queria para a vida dele alguém assim. Precipitada - ele reclamava dentro de cada um dos seus silêncios. Mais um casal que termina assim. Pegou 'fama' na cidade. A vida continua. Amanhã, independente disso, seria outro dia, um novo dia, tanto para ele, quanto para ela, e para todos. Mas nunca mais para a criança gerada por aquele amor.

Poetíssima

3 reações:

Tecnologia da Informação disse...

Oi meu amor, bom estou mando essa mensagem para te desejar muito sucesso como Poetisa. Um super beijão e saiba que você mora em meu coração.

EMPOEMAMENTO disse...

Ela, Marina, é qualquer coisa de fantástica.



Precipitada? "Abortada"? Quase Mãe?
e no fim das contas, só.

Sem filho, sem HOMEM, sem nada.

Humana.

Marina, "não fique assim...
Sabe, a vida, a vida é bela,
Esqueça de tudo que aconteceu,
amanhã será um NOVO DIA!"


Beijos vermelhos,

nós dois.

Cláudinha! disse...

Eu vou pegar esse conto para trabalhar em sala!
Tudo haver!
Lei do aborto, catolicismo contra...nossa, só você Daise!